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Aproximações Cromáticas

maio 24, 2009 Deixe um comentário

Muito mais do que dar simplesmente o suporte harmônico da música, o contrabaixo tem a função de conduzir a sensação de movimento que ela provoca. Isso fica especialmente claro quando percebemos uma linha de baixo conectando um acorde ao outro numa progressão.

Uma das formas mais interessantes de conexão entre acordes utilizada no blues é a aproximação cromática, ou seja, quando “caminhamos” entre uma nota e outra através de todos os semitons que existem entre elas.

Vamos ver um exemplo prático disso numa estrutura típica de blues em 12 compassos em “E”:


   1   2   3   4   5   6   7   8   9   10  11  12
|| E | % | % | % | A | % | E | % | B | A | E | B ||

Repare que as mudanças de acordes acontecem entre o 4º e 5º compassos, 6º e 7º, 8º e 9º, 9º e 10º, 10º e 11º e então chegamos ao “turnaround”.

Na primeira mudança, nós queremos conduzir o movimento do acorde de “E” para o de “A” e geralmente temos 4 tempos (na verdade, 12 tercinas) para isso. Então, em vez de partir de tônica (E) para tônica (A), a gente distribui os 3 semitons que antecedem a tônica seguinte deste modo:


em vez disso:

E / / / | A ...

faz isso:

E F# G G# | A ...

O que dá uma sensação toda especial de movimento para frente, ligação, crescimento, etc.

No primeiro exemplo, o movimento foi ascendente (do mais grave para o mais agudo), mas o contrário também é interessante, ou seja, uma aproximação descendente. Vamos ver coo ficaria isso na próxima mudança de acordes, de “A” para “E”:


em vez disso:

A / / / | E ...

faz isso:

A G F# F | E ...

Quando analisamos o que acontece (superficialmente, já que ainda não estudamos harmonia o bastante para isso), vemos que a sequência de semitons que utilizamos acontece quando ainda soa a sonoridade do primeiro acorde, o que provoca uma espécie de sensação de “tensão” bastante acentuada, fazendo com que a gente espere cada vez mais por um tipo de “repouso”, o que só vem no primeiro tempo do compasso seguinte, quando tocamos a tônica do segundo acorde.

É justamente esta sensação de tensão que buscamos produzir com as aproximações cromáticas, algo equivalente ao suspense de uma narração.

Por agora não vou entrar em detalhes, mas uma das aplicações mais interessantes das aproximações cromáticas acontece nos dois últimos compassos de um blues típico, o chamado “turnaround”. É isso que dá aquela sensação de desfecho e recomeço.

Se você quiser antecipar esta conversa, basta dar uma olhada nas tablaturas dos meus posts anteriores. Veja como o os “turnarounds” se valem das aproximações cromáticas e, principalmente, experimentem tocar prestando atenção nas sensações que eles provocam.

Por enquanto é isso. Comentem, corrijam, perguntem… O espaço é para isso mesmo!

Bons estudos! :)

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